quinta-feira, 18 de outubro de 2012

O Eco do Renegado

“ Por que os humanos sempre olham fixamente para o céu? 
Por que desejam voar quando não possuem asas? 
Nós vamos correr para qualquer lugar que conseguirmos correr com estas pernas.”
Kiba


Quando a solidão fora a melhor companhia
Quando chorar for a única válvula de escape
Quando gritar não gerar som algum
Quando a dor calar o que restou do grito
Quando não houver mais lágrimas p'ra secar
Quando confiar não for mais opção
Quando o descaso adormecer a alma
Quando a esperança perder o significado
Quando desistir for cansativo
Quando seguir for mecânico
Quando buscar for inútil
Quando duvidar for incoerente 
Quando o olhar mentir
Quando o rastro se apagar...

O quanto poderá sentir?
O quanto poderá pensar?
O quanto poderá agir?

O quanto poderá julgar?

A dor de sorrir
Ardor de lembrar
A morte aferida
À sorte deriva
uma dúvida...

Pra onde correr?

 

sábado, 13 de outubro de 2012

A luz


 בְּרֵאשִׁית בָּרָא אֱלֹהִים אֵת הַשָּׁמַיִם וְאֵת הָאָֽרֶץ 
(Bereishit bara Elohim et hashamayim ve'et ha'aretz)
In the beginning God created the heaven and the earth 
(Genesis 1:1)

A verdadeira obra é omissa
Num descaso eterno para consigo 
Fragmentada no pó, jaz viva
Esperando que finalmente a encontrem
Para então se reconstituir em luz, à visão.

Embora seja o derradeiro alvo de si mesma
Ainda é arquétipo da suprema beleza
Encerrando no mistério, paradoxa relação.

Reação suspensa, em curso.
Contraria o movimento a todo custo
Numa eterna balança de valores.

Mas se acima dela estando ela mesma,
O amor ao ódio no branco do preto inverta
Jogar-se-á pedras no lago da eternidade
Assim, é esta a incipiente vontade:
Colapsar o ranço da inércia numa pulsar de cores!






terça-feira, 9 de outubro de 2012

Copo meio cheio

Gota d'agua.
De dia é dourada, de noite é prata.
Lágrima ou dádiva, de todas as maneiras...
Transborda!
Afoga e acorda,
Desenhando o tapete da mãe na escala primaveril.
Sozinha é a louca, diluída é oceano.
Precipitando é anil.
Nivelou...
Sumiu.