sexta-feira, 28 de junho de 2013

Açúcar, lisergia e a renderização das memórias

Das lembranças da infância, as felizes e sadias
Quais não escondem situações avulsas
Encobertas pela nossa incapaz percepção
Que justificassem essa felicidade excessiva?

Quantas delas tinham sabor de "nunca mais vou provar isso"?
Quantas monotonias forçadamente suprimidas
Pela vontade adulta de se entregar
Às suas crianças perdidas?

Qual seria nossa surpresa em descobrir
Que pra cada cidade perdida do favo de mel oculto
Há um portal escuro, doloridamente magnetizado
Com o único código capaz?

Pra aquele mais perspicaz, eu já adianto
Que nunca existiu paraíso sem pranto
Nem doce sem travessura
Muito menos alegria pura

Que o fruto da árvore da vida
É o conhecimento do bem e do mau
Pois aquele que conhece a si mesmo
Nunca se renderá, mas renderizará a posteridade

Sob a gentil tutela da mãe natureza.