terça-feira, 25 de novembro de 2014

Arjuna e Drupadi

Cantamos a mesma canção mas cantamos pra quem?
Trilhamos a mesma estrada, até onde se a tem?
Bifurcam-se os passos quando convém?
Jurei não escrever nunca mais pra ninguém

A canção velha que o vácuo ressoa
Sem padrão, vibra a toa
Sem razão amplifica ou ecoa
E do eco, a razão decepa ou entoa

O cansaço do peregrino das almas
O vento que espana o turbante enegrecido
O olhar de velho e recém nascido
Que contempla a areia como quem faz reverência às tumbas.

E eu que tinha jurado nunca mais escrever a toa
Pago minha lingua adormecida
Com estes dedos de vintém.