segunda-feira, 25 de outubro de 2010

...

O passado, marés descompassadas
Banhando minhas vistas, íris embaçadas...
No constante movimento do lembrar, 
Tenciona o esquecer, celebrar!
E mesmo quando a mente vaga n'águas mortas
O bater do coração na majestade
O mar invoca.

O refratário

Responda-me o porquê de toda a dissonância
Nisso que ecoa involuntário
Fechar os olhos pode significar sentir
Algo que o centro não suporta mais compressar

Parece ruim a latente distancia
Como numa noite apagada, sem luar
Quando na pálpebra fechada imprimir
Em traços o contorno imaginário.

A espera ausente hora apalpa
Toda a atmosfera, frasco do elixir
Onde a visão dum corpo delineado
No Êxtase o culto pode guardar.

Na latência o sentido inserir;
No espaço a distancia anular;
Transbordando o caldeirão, instância!
Fervilha o liquido coronário!

O Expirado

O inverno não mais gela meus ossos...
Estou perpétuamente em paz
Enchergo a virtuosidade das cores neutras...
O amanhecer turvo de beleza é capaz!

Impressiono os sentidos allheios
E capacitadamente imortal
Acima dos normais olhos,
Estou averso ao anseio final


Com todas as suas infinitas nuances
A musica que vem de dentro
Possui ainda mais paixão bruta
Que os vis instintos q sustento.

Agora compreendo a eternidade
Amor concreto a tudo o que é banal
Sabendo que de banalidades é preenchido o existir
De todas as importancias, é mal o vital.

Austral


Cinza brilho no vértice
Mal ilumina os pedregulhos enquanto caminha
Sentidos entorpecendo que murmuram
Enquanto os pés questionam as horas.

Conjura dos depojos, imago
O tempo sem o espaço, a congelar!
Espera então sentado, subconsciente dopado;
Lembra a primavera de um planeta que não mais gira.

Olha um botão de flor envelhecido e murcho
A ânsia das pétalas, sentido incutido
A grama amarelada e úmida sob as pedras...
E, guardando a ilusão do fogo aprisionado,

Um infeliz carbono incrustrado

Limbo nimbus

Por entre todos os lugares Se espalha o véu Como a névoa dos mares Escondendo o céu Congelando as vias Corsário cruel Andando a procura D'aqueles às escuras Que se esgueiram d'el E ainda que me perdesse Em meio a escarcéus e preces Às quais me pervertesse Pelo caminho traçado a fel Inevitavelmente era guiado Tal qual batel desregrado Pelas corredeiras deslizando Como traços num papel Poemas Boemios duma noite escura, regada a pinga pura Vila Velha 2005 Revisado 2012