domingo, 29 de julho de 2012

Legenda


O querer bruto, inerte, é apenas vibração
Propagando-se, inútil, descarregada de intenção.
Entenda os nervos danificados que nada mais captam
E a máquina orgânica que redireciona, muda o tom.
Da dor, aprenda! É apenas um estado temporário
À mente, atenta: Visões sempre têm um significado.

Na senda da vida que se foi, incontestável pretérito.
A ciência que creu descobrir múltiplas dimensões
Extasiada por matéria, é deficiente no mérito.
Enquanto o trabalho, ouro feito no silêncio das tensões
Dos sentidos unificados, é razão que espera, nega.

Mas como cegar os olhos de uma pessoa já cega?

A aprendiz ama o mestre que observa
A matriz que nutre com sabedoria a terra.
A meretriz conscientemente se entrega...
O soldado segue ordens e morre na guerra...
A luz existe apenas na presença da treva:
Nada condiz com toda essa empatia sintética!

A dor, tão permanente quanto aqueles nervos
Cede as lembranças à proposta experimental
E na natureza contida, a programação magistral
Apenas mantém sua sequência, alterando os termos
Sístole e diástole, solve et coagula,
Retém...e liberta!




Nenhum comentário:

Postar um comentário