— Então você realmente sabe todas as coisas, não é?
— E você também, naturalmente. Só que eu sei que sei todas as coisas.
— Eu poderia tocar violão assim?
— Não, você teria o seu estilo, diferente do meu.
— Como é que se faz?
Não pretendia correr de volta e comprar o violão, estava apenas curioso.
— É só largar todas as inibições e idéias de que não sabe tocar. Pegue
naquilo como se fizesse parte de sua vida, como de fato faz, em alguma vida
alternada. Saiba que o certo é você tocá-lo bem, e deixe que o seu ser nãoconsciente
tome conta de seus dedos e toque.
Lera alguma coisa a respeito disso, a aprendizagem hipnótica, em que
se dizia aos discípulos que eles eram mestres de arte, e assim tocavam,
pintavam e escreviam como artistas.
— É uma coisa difícil, Don, deixar de saber que não sei tocar violão.
— Então será difícil para você tocar violão. Levará anos de prática até
conseguir fazê-lo direito, até que a sua mente consciente lhe diga que você já
sofreu bastante e conquistou o direito de tocar bem.
— Por que não custei a aprender a pilotar? Dizem que é difícil, mas
aprendi rápido.
— Você queria voar?
— Nada me interessava mais! Mais que tudo! Olhava para as nuvens e
para a fumaça da chaminé de manhã, subindo reta e calma, e via... Ah, já sei.
Você vai dizer: “Nunca sentiu isso quanto aos violões, não é?”
— Nunca sentiu isso quanto aos violões, não é?
Bach, Richard Ilusões, pg 54
O ideal clássico caiu por terra.
Por falta de caráter mesmo, sem ser deposto,
É o mal disposto, das piores facetas do mal:
Nas costas das cartas, máscara do conteúdo,
Sob o pretexto das carnes humanas,
Às variadas essências, passam-lhe pelas mãos...
Mãos generosas de tinta!
Por cima da parede de concreto chapiscado,
Que é pra intimidar a indecência do mau jogador...
Ainda que a jogatina seja uma parte da aparência,
Ascenso está o espírito no velho baralho...
Impregnado e cansado da sabedoria do jogo.
Jogar com a ilusão faz passar o tempo.
E depois de descoberto, uma dose do elixir
Da vontade, a zombar da beleza às propriedades,
Confundindo os véus que dançavam em silêncio
Sob melodias que nunca existiram:
A mão do homem morto,
O melhor dos presságios.
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