A negra e delicada seda,
Pende no vento insistente,
Vertendo sangue de sua trama
Frágil e firme, presa aos galhos
Da lembrança oca, que estanca.
Mergulha no próprio breu vácuo
Sem dança, a chama ausente
Tremeluz na malha fria e insana
Tal qual o xamã embriagado
Que o mal, suturando, inflama.
Arqueja em violentos espasmos
A fim de se livrar do que a cerceia
Sem armas se prostra, valente
Ignorando os elos, agora falhos
Que desmancham donde, presa, Ela se lança
O tecido em frangalhos lembra
Do rolar na terra, a poeira quente
Mais ainda do que a rubra lama
Tingindo multiplas hastes e entalhos
Como se, com a queda a certeza
Viesse se desfazer no romper das tranças.
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