quarta-feira, 30 de maio de 2012

Quadro


_Qual verdade o senhor quer que eu busque?
Sente-se enquanto eu troco o curativo.

Examino um ferimento calejado por dentro...
E em minha alma eu pergunto:
‘Porque eu? ‘
Não cometa este erro, disse a espada.
_Eu em seu lugar desistiria desse item.

‘E o que eu realmente faria em seu lugar?
Além de ocupar a mente com curativos
E mensurar a dor dos outros como se
Socar minhas ataduras não fosse o suficiente?
O que você é, o que eu fui,
Não importa, exceto pelo que temos feito. ’

_Na sessão de achados e perdidos
Não existe nenhum documento que comprove
A existência desse tal setembro maldito.
‘Quando memórias fatalmente consumiram os sentidos. ‘
_Malditos sejam os meses, os anos e os documentos!
_Reza a lenda que no museu do tempo,
Em uma pintura de assinatura expirada
Jaz, envelhecida, a instrução...
“Não memorize onde achar o que perdeu
Mas não se esqueça de quando desapareceu.
 Trocar as gazes até que desvaneça. “

‘Mas quem é você, e o que eu sou?
Essa vida é uma ciranda doente, embriagada a dançar.
Eu não sou médico, sou um exilado.
O que faremos não importa, exceto pelo que fizemos.
Novas pinturas não encontram paredes sólidas
Apenas espaço nos registros de estoque
E números de identificação. ’

O bibliotecário diz:
_Enfim, contos para este acervo!
De volta à sala de espera, respondi ao visitante:
_Infelizmente, não temos o volume que o senhor procura.
E ele ficou parado ali, examinando outras obras.
_ Minhas desculpas por não tê-lo ajudado...
_Fez o suficiente, filho. Obrigado.

“Não se encontra cura alguma em ferimento maior do que é possível suturar sozinho.”
Assim estava escrito no verso, um quadro.

Epitáfio de Curtis


Nas lágrimas dos seus olhos juvenis
Encontrei gentileza que jamais
Pude compreender, sentir ou sonhar.
Por eles não competi, apenas me deixei levar.
Não deveria haver nenhuma culpa então...

A vontade dos tolos, peçonha.
Seus prazeres, como um agiota, vem matar.
A inocência dos anos voa e o vento
Sopra a solidão de outras companhias.
Intoxicando as xícaras de chá,
Remédios agora não são mais divertidos.

Ícaro


Havia a história de belo um pássaro
De mágicos tons cinzentos e asa cortada
Que ebuliu em água fervente e desertou,
Evaporando sob o sol da insanidade.

Alguns diziam que sua gaiola não suportou
O peso da consciência humana excitada
Brotando em torrentes de enfermidade
Do cume nublado, num medo imprudente.

‘Memórias ceifam a beleza da inocência
E dão ao futuro incerto olhos ofuscados. ’
‘A dúvida corrompe mais que a culpa. ’

Pensava o dono pela quimera
Sem saber o animal que jazia no ego
E tinha pela queda a atração incoerente
Das borboletas pela luz da fogueira etérea.


Moinho

Devaneios vem e vão imitando ventania de primavera
Trazem notícias, divergências, histórias e quimeras
Combatendo o inverno numa dança arabesca, Ele espera
A mudança, o efeito que a causa impera.

Tenho arbustos e flores preenchendo a esfera
Estrelado céu diurno brilha com mil sóis e descongela
Borboletas aprendendo o voar em trajetória singela
Depois da morte, a natureza se renasce, tão bela

Que acordei sob suas fragrâncias, a sacada da interna janela.