quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Sol

Quero ver tua íris cingida ás cores do arco
E no brilho dela, as gotas bailarinas
A medida que me encharco com a aurora das tintas
Que outrora me haviam usurpado

Quisera eu possuir a seta do infante gentil
Para tocar-te o revolto oceano escarlate
Lançaría-me feliz ao redemoinho
Tingindo das bordas até a mais hostil
Das superfícies de teus temores

Provar-te-ia que a fonte de todas as cores,
No sol incandescente em tuas pupilas,
Adormecidas na candura de seus lábios
Pulsavam no interior dos átrios
Donde minha aquarela cintila.










































domingo, 22 de setembro de 2013

O Cientista

Ele está em busca de novos talentos
E o mundo está contido em seus experimentos
Numa cultura minuciosamente controlada

Ele quer mapear a rede dos seus pensamentos
Humanos perfeitos acorrentados
Amostras sinceras...contabilizados

Ele está em busca de novos momentos
Para criar um molde perfeito pros seus alentos
Dolorosas injeções de ânimo subjulgam com astúcia
Os produtos intermediários menos atentos

Ele quer extrair seus piores momentos
Numa escala de zero a cem ele te quantifica
Sob a pressão desesperada de suas feridas

Ele busca a cura pros seus próprios tormentos...


domingo, 18 de agosto de 2013

Império Altivo

Inutilize,
Cada segundo perdido à margem
Dos seres que não convergem
Diluídos, submergem
Eclipse,
Toda a ciência se ausenta
De paciência, o passo exalta
A sintaxe da dança em
Elipse,
Paralelos ruídos
O vortex sempre rompe
E vomita escusas
Repulse,
Quimeras monossilábicas
De inexistentes batalhas
Inutilizando armaduras e malhas...

A Sopa Primordial
Era lama afinal
Eva insana, ofega
Indulte.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Açúcar, lisergia e a renderização das memórias

Das lembranças da infância, as felizes e sadias
Quais não escondem situações avulsas
Encobertas pela nossa incapaz percepção
Que justificassem essa felicidade excessiva?

Quantas delas tinham sabor de "nunca mais vou provar isso"?
Quantas monotonias forçadamente suprimidas
Pela vontade adulta de se entregar
Às suas crianças perdidas?

Qual seria nossa surpresa em descobrir
Que pra cada cidade perdida do favo de mel oculto
Há um portal escuro, doloridamente magnetizado
Com o único código capaz?

Pra aquele mais perspicaz, eu já adianto
Que nunca existiu paraíso sem pranto
Nem doce sem travessura
Muito menos alegria pura

Que o fruto da árvore da vida
É o conhecimento do bem e do mau
Pois aquele que conhece a si mesmo
Nunca se renderá, mas renderizará a posteridade

Sob a gentil tutela da mãe natureza.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Limbo


Dor
Que torna os instintos às portas sórdidas
Terror
Rarefeita cúpula, tormenta, nuvem ácida se liquefaz.

Ilusões ou imagens?
Mapeadas a força, cáusticas cicatrizes.
Fissuras, passagens,
Memórias se precipitando ao mar...

Obsolescência, humana decadência!

Fundido ao secreto amorfo do ser que não existia
Consome os despojos de eras e alegrias vazias
Infuso em verdades ferventes que a mente avaria
Oculta os caminhos à toda lucidez que se havia.

Por sobre as totais consequências individualistas
Através de toda face, sátira narcisista.
Repulsa a miragem que arde ao sol dos meios, dias:
Simplista resposta a meras duvidas existencialistas.

O Ego à pele, corroído por pluvia azia.
Dissolve, goteja em murmúrios de pura afasia.
Substituindo a matriz por reais fantasias…
Submerge…
Apneia....

terça-feira, 2 de abril de 2013

2012 DA14

O sabor se perde pelo excesso
Depois de certo tempo, a dependência
Descarta o essencial, prioriza a escória
A adaptabilidade é a marca registrada da evolução das espécies.

A droga precisa ser mais forte
Pra atender aos viciados em açucar e afeto
Extrai-se o sumo da religiões vigentes:
A dor, o maior psicotrópico de todos os tempos!!

Me atirei das mônadas pra cá
Mas não vim atrás de baratos insanos
E confesso que cansei dessa busca
Ao horizonte da terra plana sobre a qual me escombro.

As pessoas são tão supérfluas
Mais descartáveis que os plásticos
Você saca essa de consciência ambiental
Sete bilhões de células cancerígenas em constante mitose

Quem sou eu pra discordar de gaia?

quarta-feira, 13 de março de 2013

Quarto Crescente de Cinzas

Não me culpe por viver
Depois de ter perdido a vida algumas vezes
Não me culpe por voar
Depois que me cortaram às penas, a pena passa

Os inflexíveis, com suas profundas cicatrizes
Ignoram os maculados e sofrem de amnésia
Na realidade, todo julgamento é cego
Os padrão é vicioso.

A necessidade é carcereira do amor
A liberdade é o maior alicerce do enamorado
Fique comigo antes que amanheça?... O tempo é vão!
E vã é a filosofia que mensura os sentimentos e o tempo
.
Assim se criou a humanidade
Sob a coisificação da necessidade
E a materialização das pessoas.




domingo, 10 de fevereiro de 2013

Illegítima

A estrela não é alva. 
De múltiplas cores, possui nenhuma. 
A Matéria que gira, furiosa, 
Atrita o alvo tangente. 

Faz-se mira, o seio líquido e sublima,
Fátuo, quem de fato a possua.




segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Redenção

"...misteriosa é a tua saída das trevas

neste dia em que é celebrada
ao irrigar os prados criados por Rá
tu fazes viver todo o gado
tu-inesgotável-que dás de beber à Terra!"
Oração ao Rio Nilo, Livros sagrados e literatura primitiva oriental, Tomo II



Oro...
Só não creio,
Não creio na permanência, na existência de algo imutável.
Pleiteio!
Nunca se imaginou,
Nunca cri que defenderia essa existência.
Sentindo...
Reprimindo, sentido?
Eu não via nessas baboseiras, marionetes de pedra sabão rastejando
Eros e Psique
Duas pedras forjadas
Do mesmo material e separadas e preparadas e trepidadas e reparadas..
À Lápide:
Moral da história,
Tens duas opções: morrer sabendo ou aprender a morrer.

Eu creio,
Aposto com Darwin:
Renascer não é tão difícil depois da fogueira de cada santa cruz interior.




sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Várzea



Quando o poeta rasga a própria carne
Não sabe que rasga a carne de todos
Aquele fio entrelaçado, fosco
Das areias do destino insosso
São dos venenos, o mais sádico.

Quando a inspiração derrete feito tinta
As dúvidas sóbrias abarrotadas de agulhas
Todas bem finas e indolores se sozinhas
Juntas, o tormento dos ardores
Rasgam a carne do poeta e dos amores.

Quando é que quando, de vez em quando
O sonho mente ou oblitera as crenças
Dilui ou cria desavenças
Foda-se tua essência, não a minha paciência
Estou aqui de passagem, não pra serva mas pras eras.


quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Tsuru

"Eu prenderei os guizos do Seu amor nos meus pés
e dançarei na frente de Girdhar [Krishna].
Dançando e dançando, agradarei aos seus olhos;
Meu amor é muito antigo,
Meu amor é a única verdade.
Não me importo com normas sociais
Nem mantenho a honra de minha família.
Não consigo esquecer, mesmo por um momento,
A beleza de meu Amado.
Fui tingida pela cor de Hari"

Mirabai (aprox.1498-1550) 



 
Eu sou um pássaro.
Um pássaro numa gaiola dourada.
Aprisionado e esperando.

A liberdade vem!
Em mãos aquecidas como torrente ao sol
Abraçar o pássaro como o vento alça o voo.

Dançando, ascendem juntos
Criados desde as raízes da grande lotus

 Ouvimos a doce voz de Mahadeva!