quarta-feira, 28 de abril de 2021

Números

Quando o nome vem primeiro

As veias apagadas não levam

Nem mais o oxigênio sobressalente

Com suas desnutridas células 

Em um privativo cativeiro

Os drenos, sufocando lentamente

Sobre a cama de pregos com travesseiro

Que mal suporta o peso da mente

Os tubos e fios, como chicotes inertes

Marcam a pele do mesmo jeito:

Esparadrapos grunhindo

Espasmos involuntários

E silenciosos gemidos


Quando não há nome

Um súbito impacto sela

O peito prensado se congela

Num último segundo de adrenalina

A vida passa em um fio

A alma consente num pio

E ali mesmo tudo se encerra

Somando aos números, sina

Que desde o nascimento rondava

As bordas do precipício









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