sábado, 24 de abril de 2021

Terraformar

 A deusa da morte caminha pela terra 

Ontem ela me tocou e eu não senti dor

O gado de corte, a mesa cheia, o ódio não erra

Só desintegra toda forma de amor


Não foi como se eu nunca houvesse existido

Assisti a tudo, quase sem medo

Eu, o jardim e as migalhas do meu grito

Seu olhar sem esperar, perdido 


Nem chego a ser lembrança, talvez sensação

De um abandono que nunca aconteceu

Talvez tenha me transformado em ânsia

De tudo que nunca foi meu


A deusa da morte está assentada na sala

Comemorando o fim enquanto nós, a chegada

O copo meio vazio, a busca atrasada

O desencontro das almas, aquele que cala


A pira das cinzas funerárias

Você sem mais incômodos

A Deusa nos tem como párias

E nós, a ela como engodo


A Deusa caminha

Enquanto sua fome não for saciada

Você não sorria

Enquanto eu era a piada?


"O problema são os outros"

A Deusa sabia.




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