A deusa da morte caminha pela terra
Ontem ela me tocou e eu não senti dor
O gado de corte, a mesa cheia, o ódio não erra
Só desintegra toda forma de amor
Não foi como se eu nunca houvesse existido
Assisti a tudo, quase sem medo
Eu, o jardim e as migalhas do meu grito
Seu olhar sem esperar, perdido
Nem chego a ser lembrança, talvez sensação
De um abandono que nunca aconteceu
Talvez tenha me transformado em ânsia
De tudo que nunca foi meu
A deusa da morte está assentada na sala
Comemorando o fim enquanto nós, a chegada
O copo meio vazio, a busca atrasada
O desencontro das almas, aquele que cala
A pira das cinzas funerárias
Você sem mais incômodos
A Deusa nos tem como párias
E nós, a ela como engodo
A Deusa caminha
Enquanto sua fome não for saciada
Você não sorria
Enquanto eu era a piada?
"O problema são os outros"
A Deusa sabia.
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