Que impulso é esse de ser
Se a essência já bastava
Mas é como se quisesse converter
A pessoa ingênua e desavisada
A aprovador, alimento espiritual
Precisa mesmo da platéia
Cada atitude, um ritual
Obrigatório é aprovarem a idéia
E cada sentimento residual
Deriva desse conselho
Mas eu prefiro ser verdadeiro
Viver no meio do gelo
Ser considerado feio
Esse é meu gozo afinal
Sem essa gente suja
Sacana, oportunista e obtusa
E seu menu de desejos
Dos insatisfeitos ao banal
Pesando no meu travesseiro
Não tenho vocação pra liderança
Só toco os outros na esperança
De um convívio equilibrado
Mas parece que sempre esperam
Que alguém dite suas falas e guie seus passos
Entenda meu mais simples anseio
Não julgo ninguém anormal
Mas também não vejo a necessidade
De enfeitar minha vaidade
Com elogios manufaturados
São padrões irreais
Suas etiquetas sociais
Não servem nem pra capacho.