quinta-feira, 24 de junho de 2021

Parasita

Que impulso é esse de ser

Se a essência já bastava

Mas é como se quisesse converter

A pessoa ingênua e desavisada

A aprovador, alimento espiritual

Precisa mesmo da platéia

Cada atitude, um ritual

Obrigatório é aprovarem a idéia

E cada sentimento residual

Deriva desse conselho

Mas eu prefiro ser verdadeiro

Viver no meio do gelo

Ser considerado feio

Esse é meu gozo afinal

Sem essa gente suja

Sacana, oportunista e obtusa

E seu menu de desejos

Dos insatisfeitos ao banal

Pesando no meu travesseiro

Não tenho vocação pra liderança

Só toco os outros na esperança

De um convívio equilibrado

Mas parece que sempre esperam 

Que alguém dite suas falas e guie seus passos

Entenda meu mais simples anseio

Não julgo ninguém anormal

Mas também não vejo a necessidade

De enfeitar minha vaidade

Com elogios manufaturados

São padrões irreais

Suas etiquetas sociais

Não servem nem pra capacho.





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