Pensamentos em cascata
Alguém esqueceu de incluir a errata
As palavras se desalinham facilmente
Na planície de um cérebro dormente
Como à perna, imóvel há alguns minutos
O sangue volta lentamente pelos dutos
A paz desce à conta-gotas
No cortex se contorcendo
Intermitente, o desespero em cotas
Vai sendo bombeado peito adentro
O ladrão de ar se confunde
E fica girando nos dutos pulmonares
E o pensamento astuto difunde
Estranhas mensagens subliminares
Fechar os olhos não é opção
No mundo secreto do medo
O fraseio, paulatinamente sem noção
Se percebe encurralado em um beco
Pálpebras úmidas observam tudo, piscando
E a inércia do ar contesta, quase pestanejando
Se a calma não vem contando os passos
A gente busca e trás ela apanhando
Mas nunca sei se são os cacos pelo caminho
Ou se o pontapé no rumo do tino
É o que faz a gente chegar cambaleando
A cobra que se devora pelo rabo
Nunca encontra a origem
Não sabe onde acabo
Nem aonde começa o rastro de fuligem
O estado da matéria é momentâneo
A despeito da liquidez, não entre em Pânico.
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