quinta-feira, 24 de junho de 2021

42 passos dentro do abismo

 Pensamentos em cascata

Alguém esqueceu de incluir a errata

As palavras se desalinham facilmente

Na planície de um cérebro dormente

Como à perna, imóvel há alguns minutos

O sangue volta lentamente pelos dutos

A paz desce à conta-gotas

No cortex se contorcendo

Intermitente, o desespero em cotas

Vai sendo bombeado peito adentro

O ladrão de ar se confunde

E fica girando nos dutos pulmonares

E o pensamento astuto difunde

Estranhas mensagens subliminares

Fechar os olhos não é opção

No mundo secreto do medo

O fraseio, paulatinamente sem noção 

Se percebe encurralado em um beco

Pálpebras úmidas observam tudo, piscando 

E a inércia do ar contesta, quase pestanejando

Se a calma não vem contando os passos

A gente busca e trás ela apanhando

Mas nunca sei se são os cacos pelo caminho

Ou se o pontapé no rumo do tino

É o que faz a gente chegar cambaleando

A cobra que se devora pelo rabo

Nunca encontra a origem

Não sabe onde acabo

 Nem aonde começa o rastro de fuligem

O estado da matéria é momentâneo

A despeito da liquidez,  não entre em Pânico.






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