Mãe,
Eu tenho alimentado os santos com meu próprio sangue
E ele flui contra a minha vontade de ver esse coração bater
Cada dor é como um prego na mão, nos pés, no crânio
E eu sou punida por falar a verdade, sem ter o direito de morrer
Meus amigos estão tão cansados quanto eu
Posso enxergar as cruzes deles de onde estou
Sem nenhum crime e com tantos julgamentos
Não há água suficiente pra lavar tantas mãos
Não há papel suficiente pra queimar
Nem árvores suficientes pra cortar tantas mágoas
Eu sei que aceitei a missão mas isso dói
Não sei se o tempo pode recuperar essas feridas
A empatia é um veneno no qual estou viciada?
O certo e o errado deixaram de ter importância
O meu exemplo inspira pessoas a não querer ser
Quem em sã consciência vai optar por este martírio?
Me dói saber que as crianças não têm escolha
E de tantas dores, eu sinto as que não queria
As outras permanecem nas portas dos fundos da mente
Aguardando um espaço pra prosperarem no consciente
Minhas noções de justiça estão entorpecidas
E cada minuto nesta terra é um estupro.
Nenhum comentário:
Postar um comentário