Eu bebo do cálice da loucura
Tencionando sorver sanidade
Eu canto com tons de amargura
Mas meus olhos cintilam felicidade
Eu ando com passos lentos
Mas sigo um caminho canhoto
E eu sei que em estradas largas
Vou encontrar portões estreitos
Que há canions que são passagens
Para grandes vales e rios leitos
Que não há amor constante
Nem dor eterna
Só há janela.
Eito!
sexta-feira, 8 de junho de 2012
quinta-feira, 7 de junho de 2012
Aspas
Há aqueles que nascem certeiros
E silenciosos como uma seta.
Alguns brandem, pesados...
Tal qual espadas.
Outros mal chegam a punhal.
Bem aventurados são os raros
Que podem se declarar funda:
Aparentemente inofensiva,
Capaz de matar gigantes
E transformar pequenos em reis.
Provérbios de Lugar Nenhum
E silenciosos como uma seta.
Alguns brandem, pesados...
Tal qual espadas.
Outros mal chegam a punhal.
Bem aventurados são os raros
Que podem se declarar funda:
Aparentemente inofensiva,
Capaz de matar gigantes
E transformar pequenos em reis.
Provérbios de Lugar Nenhum
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Labor Mudo
O inicio estabelece a finalidade pela qual
O observador inicia suas experiências:
O nascimento do observado.
Toma-se nota dos eventos importantes
Vê-se o mestre absorto em pensamentos
Buscando suas respostas fora
Duvidando de si por alguns instantes e,
Exaurindo a mente de toda cacofonia
Declara-se cansado enfim.
Pausa.
Retomando a tarefa, focaliza o objetivo:
Total aproveitamento das
possibilidades
Encontra no solitário esforço exaustivo
O alimento subjetivo do observado.
A busca interna que se inicia então
Marca o final da própria senda material.
Ultima nota tomada do evento:
‘Num dado momento a morte do objeto,
A seguir, o nascimento da substância. ‘
Silêncio.
Prólogo da Inconsciência
Infantil, sinônimo de incapaz e não aprendiz.
Moro num lugar onde cultuam a ineficiência.
Juventude desviada, desculpa que condiz
Com a falta de sabedoria. Culpam a ciência
Mas mal sabem o que procuram e lhes falta
Paciência. Isso explica o mal do século
O nexo jamais receberá alta.
Tenho pena do infeliz.
Ser humano, animal? Não, tubérculo.
Bons semeadores os deixam apodrecer
Aos montes, poluindo o campo fértil.
Queixam-se constantemente das colheitas,
Mas se alimentam da terra débil?
Aram e adubam com o sangue deveis
Dos inocentes que se desenterram
Clamando pelo cozimento das seitas
Abortados das raízes para
perecer no tédio.
Triste sina que evitavelmente se repete:
Incontáveis gerações amaldiçoando cruelmente
Incontáveis gestações e rebaixando inutilmente
Bilhares de prematuros ócios ao nível de peste,
Reproduzem insanos genes deficientes,
Recriando desentendimentos ultrapassados
Assassinando os seus incoerentemente.
E invertendo o todo numa teologia doente,
Acham genial dizer que estão inventando
O que não já não se enxerga mais na própria mente.
E hoje, a paciência já não é um dom,
Mas uma virtude. E, por mais que a haja,
O esforço de levar luz ao entendimento
É impossível pela estrada do homem.
A escória de um é o diamante de outrem,
Se o contrário pode acontecer, lamentavelmente,
A dualidade inexorável é termo concreto,
Brincadeira de mau gosto da suprema existência...
Ecoando a afirmação, disfarçada de pergunta:
Quem é você? Acaso você se lembra do por que
De ter-se feito homem, e qual cruz escolheu pra si?
Deste anátema me rio. Amém.
Canção do Tao
Valor, amor às pequenas coisas;
Verso desdenho de certos sabores
Vil emoção desprovida de substância
Amores, penhores, odores, valores;
Inverso medonho pleno em dissabores
Dos quais se horroriza a mônada instância.
Grande descoberta falha à humanidade
Que menospreza o eterno a condição imoral,
Quando, na realidade implacável,
Tal termo se desassocie da verdade
Rebaixado cegamente a mísera condição
De qualquer diminuta unidade temporal.
Outra grande fatalidade preserva o absoluto
Mascarado tristemente aos cinco sentidos da carne.
E faz das almas, prisioneiras de pupilas grades
Algumas gemendo, outras gritando,
A maioria incapaz de serrar, cerra.
E encenando uma cegueira a capela,
Impregna o éter com canções de luto.
Canções como esta que vos embuto.
Muscipula
Vejo a flor num deserto encharcado
Oasis em mosaico de vidros cortantes...
Folhas verdes e pétalas multicoloridas,
Exalando perfumes viciantes
Mística, sintética, nocivo alento.
Abatedouro de inseto pestilento,
Oca por dentro, armadilha infalível.
Padecendo de tantas vidas, natureza...
Desprezada por si, observada, envergonhada,
Animosidade a flor... mortificada.
Uma mutação forçada...a fortaleza;
Eu vejo a esfinge amaldiçoada
Eu vejo a flor, seu cálice oxidado vertendo.
Eu vejo a flor, digerindo a si...
A menor das dores...
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