segunda-feira, 4 de junho de 2012

Prólogo da Inconsciência


Infantil, sinônimo de incapaz e não aprendiz.
Moro num lugar onde cultuam a ineficiência.
Juventude desviada, desculpa que condiz
Com a falta de sabedoria. Culpam a ciência
Mas mal sabem o que procuram e lhes falta
Paciência. Isso explica o mal do século
O nexo jamais receberá alta.
Tenho pena do infeliz.

Ser humano, animal? Não, tubérculo.
Bons semeadores os deixam apodrecer
Aos montes, poluindo o campo fértil.
Queixam-se constantemente das colheitas,
Mas se alimentam da terra débil?
Aram e adubam com o sangue deveis
Dos inocentes que se desenterram
Clamando pelo cozimento das seitas
Abortados das raízes para perecer no tédio.

Triste sina que evitavelmente se repete:
Incontáveis gerações amaldiçoando cruelmente
Incontáveis gestações e rebaixando inutilmente
Bilhares de prematuros ócios ao nível de peste,
Reproduzem insanos genes deficientes,
Recriando desentendimentos ultrapassados
Assassinando os seus incoerentemente.
E invertendo o todo numa teologia doente,
Acham genial dizer que estão inventando
O que não já não se enxerga mais na própria mente.

E hoje, a paciência já não é um dom,
Mas uma virtude. E, por mais que a haja,
O esforço de levar luz ao entendimento
É impossível pela estrada do homem.
A escória de um é o diamante de outrem,
Se o contrário pode acontecer, lamentavelmente,
A dualidade inexorável é termo concreto,
Brincadeira de mau gosto da suprema existência...
Ecoando a afirmação, disfarçada de pergunta:
Quem é você? Acaso você se lembra do por que
De ter-se feito homem, e qual cruz escolheu pra si?

Deste anátema me rio. Amém.

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