terça-feira, 28 de agosto de 2012

Mágika


EU SOU aquele cercado pelos quatro.
Se Eu mantiver o silêncio - Ou se falar, 
Cada palavra será sofrimento sem esperança.




À sombra do guerreiro, jazem
Aguardando terreno fértil para broto,
As armas que cintilam de viés...

Erigindo silencioso templo groto
Emerge consciente, a derradeira passagem
Expondo o recôndito da paz, além.

Inspirado em seus sábios mestres
Iniciado pelos self-cientes
Imaculado pela verdadeira fé-hu

Ostenta a estratégia dos deuses
Ouvida nos sussurros dos ventos
Outrora emudecidos pelo receio de ser...

Ultimato,  pára a falsa palavra!
Urge este aettyr de victória!

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Prometheus

"La, vois, le saule s'incline dessus du ruisseau,
comme une personne qui se descend, criant pour l'amant.
Me rapelle d'automne, presse dans ton reverence,
je m'ai engagee a vous..." Anathema


A Indecência da incandescência oblitera
Ofusca a vista do suposto belo, desterra
A busca do alívio na dor, iniciação pragmática
Extrai virtudes de lacerações magmáticas
Forjando deuses de argilosos homens

Uma questão de superioridade exaspera
Em secretas conspirações, manipulam-se esferas
Se avultando no tempo, a humanidade plástica
Resume em mero tributo à sua moral estática
Praguejar pelas mentiras que, ignóbeis, consomem.

Eu que me fujo das promessas do cardápio
Por garrafas de solidão e uma dieta de batráquios,
Tomando ciência dos fatos apenas por premissa
Que soldar-me nesta teia de mentalidade submissa
E devorar sorrindo minhas próprias entranhas.













sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Sulfur



Serpente trans morfa asfixiante
Enzima digerindo lasciva pele
Sem a substância, é latejante
Ostensiva que a m'alma fere.
Planeando por tal mundo vagar
Em erro, na dor se catapulta
Sorrindo do aroma a matar
Investe, serena e sepulta.

Deste sacrifício vão, consente
Com a lucidez das moribundas
Ver o fogo etéreo que ascende
Às infernais esferas, em tumbas.
E Dante, de amor a gozar
Goza do amor alheio
Mil personas ao afago salutar,
Abrasado pelo destino eu apeio!

E no leito das sanguessugas
Trato de meus devaneios
Contido no fim, um pouco de cura,
Tão infausto assim, é meu anseio.






quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Tebaida


"Amargura em minha boca
Sorri seus dentes de chumbo..."  Marisa Monte

Completo tal espelho no escuro
Tateando o hipotético auguro,
À sombra dos sóis de mil diálogos
E ignorante a todos os prólogos
Tenho a memória povoada de escusos.

Sem autoria nem cantoria,
Poesia mecânica se manifesta
Ludibriando o secreto arcano
Com a certeza de quem atesta
A própria morte sem sentença.

Assim, aqui estou... fadado a ouvir
O verdugo gotejar da brilhante estrela
Ao escuro do espelho, se indo diluir.
Como se fosse sacro escaravelho
Me comprimindo em interna cela.



Dedicado a Agni, ìcaro, Phoenix e Hórus.


terça-feira, 7 de agosto de 2012

Pirita



“The nitrogen in our DNA, the calcium in our teeth, the iron in our blood, the carbon in our apple pies were made in the interiors of collapsing stars. We are made of starstuff.” 
― Carl Sagan, Cosmos



Era uma caverna, estalagmites mortais brotavam
Gotas do mais puro ódio se transmutavam
Defesa, arma natural, mas o que era aquilo?
Brilhava oxidada num canto isolado
E tola como era, presa ao revestimento
Como se fosse A aurífera, dona do local
Me roubou a atenção, por curiosidade;
Totalitária na sua solidão de pedra
Qual brilho amarelado me cegando os olhos.

Meu entusiasmo viciado de colecionadora
Se esvaiu em chamas, iluminando a gruta
Quando então percebi-lhe os atributos, deveras!
Que na mais arquitetada das mentiras era,
E revelou-se sem o ardor duma extração:
Uma simpática pirita amarela.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Ilusão

'Dori me
Interimo adapare
Ameno ameno
Lantire Lantiremo
Omenare imperavi
Ameno
Dimere dimere
Mantiro Mantiremo
Omenare imperavi emulari
Ameno
Ameno dore
Dori me reo
Ameno dori me
Dori me am.'

Eric Levi

Foi-se o tempo em que as palavras podiam ser ditas
Puramente por seu sentido literal, sem reservas
As crianças possuem uma dádiva, ingenuidade
Todo o resto ou é medo ou perdição, malditas!
Investidas cruéis num campo de batalha
Parte de estratégias sórdidas sem objetivo...
Vazio!
Cada palavra ausente se verbaliza e me fere
Vazio!
Com a eloquência teatral dos sádicos,
Ultraja a sabedoria dos magos
O que estão fazendo, fazendo consigo!?
Uma agulha no palheiro você me diz...
Uma gota no oceano?
NÓS SOMOS O OCEANO!







Vício

"Aquilo que me ataca me enche de vida."
Chandramukhi


Todos aqueles que perderam algo temem.
Por todos os minutos que foram desperdiçados
Todas as palavras ditas em vão
Todas as mentiras consentidas e
Todas as imagens no espelho sujo de
Toda a vaidade capital, perniciosa;
Temem, mas por capricho, sedem.

Todos os sentimentos assassinados
Todos os pensamentos envenenados
Todas as intenções mal definidas
Todas as cicatrizes expostas
Temem a nudez da alma ferida
E no entanto jogam suas pérolas fora.

E tudo o que é mais sagrado
Por tudo o que é mais sagrado!
A única coisa de que precisavam
No desespero de todas as mágoas
No anseio de todas as calmas
Era que lhes curassem a dor
Mas em troca se viciaram nela...