Quero me comunicar com quem?
Meu protocolo é desconexo, meus sentimentos estão prescritos
Em algum papel carimbado, numa caligrafia terrível
Por algum outro doente mais qualificado
Clara demonstração de que eu também não me encaixo
Neste teatro de papel sujo, reciclado e enrendo sofrível
Cuja história, mentirosa, goteja, me asperge e grita
Das tumbas dos antepassados silenciados
Porque eu sou tu, eu sou nós, esta inscrito!
No código sagrado, milenar e ilegível
Que daquele obsoleto senhor amoral desalmado
Restou apenas o tu, o vós e os que seguem.
E por isto, reduz nossa espécie a rebanho,
Alguns indivíduos cômicamente selecionados, ao pastoreio,
Nosso habitat a um cemitério,
E ainda quer que eu ache sério
Os critérios de escolha desse personagem
Então volto ao placebo
Até que uma hora, percebo
Que não há vaidade em tirar vantagem
De qualquer doença da qual eu me julgue curado.
Nenhum comentário:
Postar um comentário