Pra existir, é necessário forçar
Nem a respiração vem fácil
O alimento só pode ser conquistado
De uma forma ou outra, algo se move
Alguém intenta, energia colapsa
E se aglutina no novo
Mas eu não sinto vontade
Eu sinto a distância, sem a vaidade
Não possuo nada, acreditar no contrário
É ilusão. Também não quero possuir.
É outra ilusão. Quem fica e quem vai
Está cumprindo sua função
Quem sou eu pra questionar
Minha única pergunta é
Com qual objetivo ficamos ou vamos?
Eu também não tenho objetivo
Já tive, planinho traçado, impecável
Veio o inesperado e rabiscou tudo
Pior que um guri encapetado
Eu faço o que? Gargalho
Se eu não controlo nada
Por que vou me irritar com o que deu errado?
As linhas contém cálculos não finalizados
O mais sensato a fazer é ficar parado
Esse é o nada, esse é o tao
E quando eu acho que entendi
A resposta está para o outro lado
Tenho a vontade, sinto
Porque o sentido surge da necessidade
De discriminar o que interage
Para bem ou mal de si
É natural e justo, são quatro mãos
Segurando as duas pontas de uma corda
Entrelaçadas em outras cordas
Algum sem noção deitado no meio
Sem julgamento, eu faria o mesmo
Aliás, é o que eu estive fazendo
Acredito que algumas daquelas cordas
Só não me estrangularam porque eu deitei
A preguiça é o melhor pecado
Porque te impede de cometer os outros seis
A pureza do movimento
Reside na sutileza do meio
E assim fazendo nada
Eu danço no ritmo do devaneio
As vezes eu esqueço
E a música para
A mente grita
A coluna estrala
Lá vem ela, a corda desvairada
Pra eu pular outra vez
Ou cair sentada
Ou surtar, dessa vez
É isso que me mata
A mesma racionalidade que salva
Também silencia, imobiliza
Ou na verdade estou presa
E minha cama é uma miragem
O incomodo vem da dúvida genuína
Ou da ilusão da verdade?
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