segunda-feira, 3 de maio de 2021

Entropia

Pra existir, é necessário forçar

Nem a respiração vem fácil

O alimento só pode ser conquistado

De uma forma ou outra, algo se move

Alguém intenta, energia colapsa

E se aglutina no novo

Mas eu não sinto vontade

Eu sinto a distância, sem a vaidade

Não possuo nada, acreditar no contrário

É ilusão. Também não quero possuir.

É outra ilusão. Quem fica e quem vai

Está cumprindo sua função

Quem sou eu pra questionar

Minha única pergunta é

Com qual objetivo ficamos ou vamos?

Eu também não tenho objetivo

Já tive, planinho traçado, impecável

Veio o inesperado e rabiscou tudo

Pior que um guri encapetado

Eu faço o que? Gargalho

Se eu não controlo nada

Por que vou me irritar com o que deu errado?

As linhas contém cálculos não finalizados

O mais sensato a fazer é ficar parado

Esse é o nada, esse é o tao

E quando eu acho que entendi

A resposta está para o outro lado

Tenho a vontade, sinto

Porque o sentido surge da necessidade

De discriminar o que interage

Para bem ou mal de si

É natural e justo, são quatro mãos

Segurando as duas pontas de uma corda

Entrelaçadas em outras cordas

Algum sem noção deitado no meio

Sem julgamento, eu faria o mesmo

Aliás, é o que eu estive fazendo

Acredito que algumas daquelas cordas

Só não me estrangularam porque eu deitei

A preguiça é o melhor pecado

Porque te impede de cometer os outros seis

A pureza do movimento

Reside na sutileza do meio

E assim fazendo nada

Eu danço no ritmo do devaneio

As vezes eu esqueço

E a música para

A mente grita

A coluna estrala

Lá vem ela, a corda desvairada

Pra eu pular outra vez

Ou cair sentada

Ou surtar, dessa vez

É isso que me mata

A mesma racionalidade que salva

Também silencia, imobiliza

Ou na verdade estou presa

E minha cama é uma miragem

O incomodo vem da dúvida genuína

Ou da ilusão da verdade?


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