sexta-feira, 7 de maio de 2021

Horizonte de eventos

 Eu não quero ser nada aqui não

Tá doido, pra quê assumir essa responsabilidade

De levantar um estandarte e não poder mais ir a lugar nenhum?

Como um soldado inglês ou uma estátua

Um pedregulho, nem isso!

Eu não quero ser nenhum Cristo pendurado, nenhuma luz

Só quero não querendo, estar sem estado

Até a preguiça pode me deixar enjoado

Me interessa mesmo só cada instante, sem olhar pro lado

Hesitante, exilado, que porra, eu quero é ficar excitado

Minha única condição é a de tédio constante

Um tédio cíclico, uma consoante sem significado

Que ira isso mantém, arfante, segurando o cabresto já degenerado?

Ah é exagero, você deve estar equivocado

Esquizofrênico, emperrado. A culpa

É sempre do último a ficar calado?

Quero que se foda, quero é vodka, eu quero estar errado!

Porque tudo o que vejo é tão entendiante

Que eu não posso simplesmente ver acontecer e ficar sentado.

Quer saber? Quero mais nada não. Nem o instante. Vamos abreviar o papo... você pode pegar tudo e enfiar no...














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