domingo, 2 de maio de 2021

Peregrino do nada

Devo ser uma louca feliz

Estou viva e sou amada

Ignoro tudo o que quiz ou não fiz

A vida anda mesmo é na estrada


O tao existe, independente

De mim, contra ele posso nada

Inclusive ir contra a corrente

Mesmo que não esteja aprisionada


Nem que pudesse, faria

Não por medo da consequência

Mas por ter a ciência fria

De enxergar além da aparência


E quantas belas surpresas me aguardam

Ainda que o curso normal tenha mudado

Sigo em frente mesmo quando todos param

Porque o olhar da alma é sempre iluminado


Não temo os reboots da vida

O método reside no experimento

Não me imobiliza nem a ira

Nem as noites frias de lamento


Arrombo tudo com o peito

E quando algo finalmente transpassar

Não vou achar menos que Bem feito!

Pra mim vai ser só mais uma entrada de ar


Alguns me chamam de insensível

Outros de arrogante

Reconheço a ignorância do invisível

Na negação que o óbvio garante


Quem é que sustenta o homem

Além da vida, perguntaram

Troquei o foco desde ontem

Da provisão, ultrapassado


Coexistência é simétrica por natureza

Na multiplicidade fundamentada

E quem enxerga o núcleo da beleza

Não teme a morte, nem a vida e nem nada.





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