A sombra que permeia
E mantém as células unidas
É a mesma que dilacera
O espírito dos dias comuns:
É o alimento desperdiçado
A asfixia dos peixes
Minha carne no teu prato
E as vísceras na parede
Minha pele embala as tuas crias
Enquanto meus átrios se dissolvem
Nas cavidades atemporais da memória.
Nenhuma homenagem simplória
Além do peso das negras nuvens
E o último beijo de bom dia.
A lápide é de pedras amontoadas
As flores trazidas pelo vento
Os anos passam como se fossem dias
E a chuva, o único alento
Pra cada gota de dor
Nenhum lamento.
Nenhum comentário:
Postar um comentário